Nossas histórias

    45 dias para salvar um projeto que já tinha consumido 6 meses

    O que decidiu o resultado não foi a ferramenta — foi o controle da execução

    W&S BI08 de setembro de 20263 min de leitura
    Arte de capa do artigo “45 dias para salvar um projeto que já tinha consumido 6 meses”, na identidade visual da W&S BI.

    Resumo rápido: uma multinacional do setor aeronáutico precisava de uma aplicação de Business Analytics em 45 dias. A equipe interna já tinha consumido 6 meses no mesmo escopo e não chegaria à data de inauguração do novo centro de distribuição. Assumimos o projeto e entregamos no prazo. A plataforma que usamos era mais rápida de desenvolver — mas essa vantagem, sozinha, não explicava a diferença de 6 meses para 45 dias. O que explicava era planejamento e controle de execução.

    O pedido que chegou até nós

    Fomos procurados por uma multinacional do ramo aeronáutico com um desafio bem definido: desenvolver, em 45 dias, um projeto de Business Analytics que daria velocidade à área de atendimento ao cliente final, na consulta do status das suas demandas.

    O prazo exíguo não era capricho. A equipe interna de desenvolvimento, trabalhando na plataforma que a empresa já possuía, tinha consumido 6 meses e não iria concluir a tempo da entrada em funcionamento do novo Centro de Distribuição de peças de reposição. A data do CD não se movia. O projeto tinha que caber nela.

    Por que aceitamos

    Não aceitamos porque tínhamos uma ferramenta melhor. Aceitamos porque, ao olhar o histórico dos 6 meses anteriores, o padrão era reconhecível: escopo que crescia sem registro, decisões que ficavam paradas esperando alguém, entregas parciais que ninguém validava. Nenhum desses problemas é resolvido trocando de software.

    O que faltava era o que a gente sabe fazer: método.

    O que fizemos de diferente

    Aplicamos nossa metodologia de projetos baseada nos conceitos do PMI e exercemos controle forte na execução das atividades planejadas. Na prática, isso significou três coisas:

    1. Escopo congelado e visível. Tudo o que entrava depois do congelamento virava uma decisão explícita, com custo de prazo declarado. Não havia "só mais um campinho".
    2. Ciclo curto de validação. O usuário final via a aplicação funcionando a cada poucos dias, não no fim. Desvio detectado cedo custa horas; detectado no fim, custa semanas.
    3. Dono para cada pendência. Toda pendência tinha nome e data. Pendência sem dono é pendência eterna.

    Os desvios apareceram — sempre aparecem. A diferença é que eles apareceram na primeira semana em que existiram, e não no relatório final.

    A parte mais difícil não foi técnica

    O ponto mais delicado do projeto foi outro: conseguir a contribuição de quem estava sendo substituído.

    A equipe interna tinha 6 meses de conhecimento do negócio, das regras, dos casos de exceção. Esse conhecimento era insubstituível — e estava dentro das pessoas que, do ponto de vista delas, tinham acabado de perder o projeto. Ignorar isso teria custado o prazo. Fingir que não existia teria custado mais ainda.

    Tratamos de frente: o time interno entrou como fonte de regra de negócio e validação, com crédito explícito no que era entregue. Não foi confortável no começo. Foi o que viabilizou o final.

    O resultado

    Desenvolvemos a aplicação com sucesso e dentro dos 45 dias. O CD entrou em operação com a consulta de status funcionando.

    A conclusão que ficou

    Executamos numa plataforma reconhecidamente mais rápida de desenvolvimento. Isso ajudou. Mas a diferença entre 6 meses e 45 dias é grande demais para ser explicada por ferramenta — e, se você fizer a conta, a vantagem da plataforma praticamente se anula diante de uma diferença de prazo dessa ordem.

    As diversas plataformas de Business Analytics existentes têm, claro, diferenças de composição e de solução. Ignorando aqui as questões econômicas, no fim elas atendem à necessidade do cliente. O que separa um projeto que entrega de um projeto que arrasta é o planejamento e o controle da execução.

    É por isso que, quando alguém nos pergunta "qual é a melhor ferramenta de BI?", nossa primeira pergunta de volta costuma ser outra: quem vai controlar a execução?


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    Esta é uma história real de um projeto nosso. Por respeito ao cliente, não citamos nomes. A série Nossas Histórias traz cenários reais — sucessos, dificuldades, resistências e os projetos que não fechamos — com a análise de quem atua há mais de duas décadas em implantação de ERPs e soluções de dados.

    #gestão de projetos
    #PMI
    #business analytics
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    #metodologia

    Glossário

    Termos e conceitos citados neste artigo.

    Controle de execução
    Acompanhamento sistemático das atividades planejadas, com dono e data para cada pendência e desvios tratados na semana em que aparecem.
    Escopo congelado
    Escopo fechado por escrito, em que toda inclusão posterior vira decisão explícita com custo de prazo declarado.

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